Da Guiana Francesa pra Belém: uma entrevista sobre a viagem.

Da Guiana Francesa pra Belém: uma entrevista sobre a viagem.

4 de abril de 2018 Sem categoria 0

 

 

A francesa Camille Elia passou por Belém no começo de 2018, para conhecer as belezas da Amazônia. Professora de artes, Camille agora mora na Guiana Francesa e veio de lá conhecer as terras de cá por sugestão de seus alunos.

A trip começou em Algodoal – olha que maravilha! – e Camille contou pra gente como foi chegar a Belém vindo da Guiana Francesa, com qual moeda entrou no Brasil, como é viajar sozinha e um monte de dicas bacanas de viagem.

Aqui você sabe mais sobre: Como chegar em Belém, Como vir da Guiana pra Belém, O que fazer em Belém, Onde se hospedar na Amazônia.

 

A relação Guiana Francesa X Brasil

 

BH: Me fala um pouco do seu país. O que você faz lá, quais são as atividades legais na hora de lazer…

Camille: Eu sou francesa. Mudei para a Guiana Francesa faz 8 meses. Estou ensinando História da Arte para o ensino fundamental. E estou adorando minha nova vida na Guiana. Lá, fora do trabalho que mais fazemos são as ligadas à natureza, como ir ao rio. Pode-se também visitar uma ilha e é bom para ficar o dia todo.

 

BH: E como você chegou a Belém? Como é vir da Guiana?

Camille: Eu cheguei de avião. Mas, há outras soluções para chegar a Belém. Há muita gente que vem pro Brasil, não para Belém, mas ao Oiapoque. Vêm de carro até Oiapoque – passam alguns dias atravessando- e chegam ao Brasil. Outras que vêm, por exemplo a Belém, que pegam um ônibus, atravessam o Oiapoque, depois pegam um barco e chegam a Belém. Há várias opções, mas diz-se  que vir de ônibus é perigoso. Então, o avião é o mais aconselhável para quem mora na Guiana.

 

Ser mulher e viajar só, dá?

 

BH: E como é ser uma mulher viajando só?

Camille: Minha família e meu namorado não gostaram do fato de eu vir sozinha por que o Brasil não tem uma boa reputação para se viajar só, ainda mais mulher. Mas, eu queria vir assim mesmo. Cheguei a Belém e daqui fui para Algodoal, um lugar de onde poderia conhecer o Brasil de pouco a pouco. Depois, voltei a Belém de ônibus – peguei ônibus, carro, barco para chegar aqui.

Aqui em Belém não encontrei qualquer problema [falando sobre ser mulher viajando só]. Tinha medo, mas acho que era só na minha cabeça, pois muitas pessoas falavam  “o perigo do Brasil, o perigo do Brasil”, então, estava um pouco inquieta.

Eu viajei por muitos países: fui ao Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia. Lá, também viajei sozinha, onde me senti segura. Na Austrália foi onde mais me senti segura. Quando fui a países como Marrocos e Tunísia foi mais difícil pois os homens falam com você todo o tempo, mesmo se você estiver mal vestida.

Sempre me visto mal quando viajo. Não me maquio, não me penteio. Mas mesmo assim, no Marrocos e Tunísia foi difícil pois os homens ficam olhando todo tempo. Era agressivo. Não senti isso aqui. Só vi homens observando, mas eles não falavam comigo.

Achei os homens respeitosos e os brasileiros de forma geral muito gentis. Mesmo se não falam inglês, eles sorriem, falam e tentam mostrar o caminho. Não são tão fechados como na França e são sorridentes. Achei isso muito interessante e confortante. As mulheres falam de forma muito gentil.

 

Qual a melhor impressão sobre Belém?

 

BH: Fale sobre a decisão de vir ao Brasil, a Amazônia e a Belém.

Bom, vim por Algodoal e foi difícil por que ninguém falava francês ou italiano ou inglês, mal podia me comunicar. Aqui em Belém é mais fácil, porque no hostel se fala inglês.

Agora, eu ficarei alguns anos na Guiana. Então quero conhecer a América do Sul, por isso o Brasil pra começar. Não achei a passagem para vir a Belém cara. E meus alunos me indicaram vir a Belém e Algodoal para visitar. Hesitei entre Belém e Rio, mas no carnaval, o Rio estava bem perigoso, segundo o que me disseram.

Cheguei em Belém e aqui neste hostel as pessoas falam inglês e é bem agradável. Me deixa segura, pois posso me comunicar. Fiquei 5 dias sem poder me comunicar, apenas me alimentava com o que me era oferecido e não podia pedir, pois não sabiam o que eu queria.

Então quando cheguei aqui me senti segura: me deram um roteiro com conselhos do que fazer na cidade, o que comer, onde ir, onde visitar…então foi muito bom.

[Sobre a comparação entre Rio e Belém] E é verdade: a passagem para vir a Belém foi um pouco menos cara, mas se você compra a passagem cedo, o valor fica entre 200 e 300 euros para Belém ou Rio. Quase o mesmo preço, se pudermos comprar a passagem com antecedência. Ficarei aqui por 10 dias e depois volto à Guiana para trabalhar.

 

BH: O que você fez aqui até agora que mais te impressionou?

Camille:  O que mais me impressionou foi a rua. Havia muitos comerciantes vendendo frutas, muitas pessoas na rua e é muito diferente da França e da Guiana. Quando você anda só pela rua é impressionante.

Eu fui ao Mangal das Garças – é muito lindo, gostei muito. E o Mercado Ver-o-Peso também foi muito interessante. Fui à Doca, muito bonita. E outra coisa impressionante que adorei foi o Shopping porque tenho medo do Shopping Center na Guiana então pude ir ao Shopping Boulevard e foi verdadeiramente interessante. Adorei a vista, na janela do Shopping Boulevard, pois você pode ver toda a cidade.

 

A hospedagem, a bagagem e o dinheiro

 

BH: Você sempre escolhe hostels como estadia? Se sim, por quê?

Camille: Sim, tenho o hábito de viajar e adoro. Adoro esse tipo de lugar. E aqui no Belém Hostel é muito bonito e acolhedor.  Há as fotos e os comentários [falando sobre o Booking.com], então posso escolher o hotel dessa forma. Descobri os hostels na Austrália, onde é bem desenvolvido, e os viajantes vão ao BackPackers, o que permite encontrar um hotel não tão caro.

 

BH: O que você geralmente leva na bagagem quando viaja? O que não pode faltar para quem está vindo para a Amazônia?

Camille: Posso dar várias recomendações. É muito, muito importante ter o Real na Guiana e não pensar em trocar Euro no Brasil: é difícil achar casas de câmbio. Aqui em Belém há algumas, mas, por exemplo, no caminho para ir a Algodoal, Marudá não havia nenhum caixa eletrônico ou casa de câmbio.

Então eu comi muito, muito pouco em Algodoal pois eu não tinha Real o suficiente. Não pude me organizar pois era carnaval e as casas de câmbio estavam fechadas.

É muito importante trazer em sua mochila um protetor solar,  com menos de 100 ml. Pegaram o meu no aeroporto pois ele tinha mais de 100 ml. Acabei tendo uma queimadura de sol – não achei farmácia por perto. Então, deve-se trazer um protetor solar pequeno com fator de proteção forte – 50.

É realmente importante tazer um chapéu, óculos escuros e uma capa de chuva. Eu viajo sempre com uma mochila bem pequena, pois não posso carregar muito peso. Trago uma pequena farmácia, muito importante principalmente para dor de barriga ou diarréia, pois nossa barriga não está acostumada [com comidas diferentes]. Já fiquei doente e é muito importante ter remédios para parar a dor de barriga etc, esses detalhes (risos).

Também é importante ter o creme pós-sol. Deve-se te uma toalha em micro-fibra. É uma toalha que seca super rápido, assim pode-se trocar no hotel, sem ter que ficar com a toalha molhada. Ah, sim. Muito importante também é ter uma pochete para portar os documentos, dinheiro, sob a camisa e dentro da calça.

Muito importante trazer um cartão que funcione no Brasil e outros países. Eu mesma tenho um cartão que se chama Cart Comte-Nickel – é um cartão que permite retirar dinheiro em qualquer país, um cartão internacional. E pouco importa de que lugar do mundo você retira dinheiro, a cada vez que você tira, custa 1 Euro. Então, você não terá problema, pois saberá quanto custa cada vez que retirar.

 

Sobre organização, prevenção e vacinas

 

BH: Você trouxe tudo, se organizou bem? Precisou de algo que não encontrou?

Camille: Bom, sempre coloco todas as minhas coisas em um saco plástico, quando vou me movimentar. Vários saquinhos. Então, se chove nada molha e eu consigo organizar/classificar as coisas dentro da minha mochila. Por exemplo, um saco plástico para a farmacinha, um outro pra roupas etc. O saco de congelear, que se coloca no freezer, que é hermético [fala do Ziploc] é bem útil.

Aconselho também roupas de algodão, pra que você não sinta muito calor. Não muitas roupas – 2 shorts, 3 camisas são suficientes. É melhor uma bolsa leve, pra não se chatear. E roupas largas, nada sexy já que você viaja só, uma garota.

Importante também ter um produto específico para os mosquitos e sempre colocar sobre a pele, antes de sair. Você deve saber, previamente, se tem alergia – sua pele deve conhecer o produto. Eu uso o Apaisyl.

É importante também ter um sachê contra desidratação e colocar o produto em sua garrafa. Aqui o encontrei em um posto de saúde. Não tenho certeza pois não me falaram em inglês, mas fui a um centro médico em Algodoal para comprar um creme pois estava com queimadura solar [talvez insolação] muito forte. Mas não havia creme, então me deram esse sachê contra desidratação para por na garrafa d’água – um pó branco com sódio, açúcar.

É importante observar os sintomas de chicungunha e da dengue, mas normalmente as pessoas que moram na Guiana já conhecem os sintomas. Ah, ainda sobre vacinação: na Guiana temos a obrigação de tomar a vacina contra Febre Amarela, então eu não tinha necessidade dela.

 

 

 

 

Quem quiser sair da Guiana e conhecer Belém, pode começar a montar o roteiro. Que tal pensar em alguns passeios bem bacanas que separamos aqui  pra você?

Se quiser conhecer Belém e, de quebra, dar um pulo, na Ilha do Combu, que é bem pertinho, dá uma olhada nesse post.

 

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