Vai mochilar? Comece pelo Brasil.

Vai mochilar? Comece pelo Brasil.

11 de abril de 2018 Sem categoria 0

 

 

Você já se reconheceu como viajante do mundo. Adora conhecer novos lugares, culturas, histórias, pessoas. Para isso, nada melhor que colocar apenas uma mochila nas costas, algumas ideias na cabeça e um roteiro bem definido na mão: é só cair na estrada.

O negócio é quando chega a hora de decidir o destino. São muitas opções. A gente vai te mostrar por que explorar o Brasil – e, principalmente, a Amazônia – é algo que todo mochileiro de responsa deveria fazer.

Aqui você sabe mais sobre: mochilão, mochilão pelo Brasil, gringos no Brasil, cair na estrada

 

Gigante pela própria natureza

 

Cheio de estradas, rios, vias alternativas para quem não tem medo de se aventurar, o Brasil é prato cheio pra qualquer mochileiro que se preze. Primeiramente, por que é imenso, cheio de lugares pra conhecer. A gente até listou 4 deles que são maravilhosos no nosso post 4 destinos imperdíveis no Brasil para explorar nos feriados de 2018.

Nosso país, cuja história nem sempre é tão bonita, era povoado por diversas tribos indígenas e posteriormente colonizado por diversos povos, recebendo milhares de escravos com culturas diversas.

Desse caldeirão, resultaram culturas muito miscigenadas. Religiões que acabaram relacionando-se e tornando-se sincréticas. Então, já dá pra imaginar que, mesmo ao visitar uma partezinha só do país você vai ter muitas referências de idiomas, culinária, modo de falar e vestir.

Além disso, essa geografia monumental garante uma variedade enorme de paisagens, ou seja, a probabilidade de você falar “uau” muitas vezes durante as suas andanças e aventuras é muito maior no nosso país, do que em um país geograficamente, digamos, menos avantajado.

 

O jeitinho brasileiro

 

Tem algo que todo estrangeiro que explora alguma parte do Brasil e todo brasileiro que sai da sua região pra visitar outra fala é “ô, povo acolhedor”. Realmente, em cidades grandes a recorrência e intensidade podem ser menores, devido à urbanidade, mas, de maneira geral, brasileiros tendem a acolher.

É clássico: um gringo na rua, com um mapa na mão e uma expressão de “estou perdido” sempre gera pelo menos uma abordagem de alguém que mora por perto querendo ajudar de alguma forma, indicar o local. Se você é mochileiro e não fala português, dificilmente vai ficar à deriva – sempre tem um portunhol, um portuinglês.

 

Você pode saber um pouquinho sobre isso aqui nessa entrevista que a francesa Camille Elia deu ao Belém Hostel: Da Guiana Francesa pra Belém: um guia pra viagem ser inesquecível.

 

Algumas áreas do país podem ser violentas (é só entrar em algum portal de notícias e você já vai ver), mas as áreas de turismo ecológico, parques nacionais e as áreas que serão indicadas pelos moradores locais, de certa serão mais seguras.

Além disso, nosso país é composto de imigrantes de vários locais do mundo: em São Paulo existe uma grande influência italiana (entre muitas), no Pará, a colônia japonesa é significativa. Em cada localidade, você vai encontrar muitos povos convivendo. E isso, pra quem gosta de conhecer culturas diferentes, é um grande presente.

 

Cada região é quase um país diferente

 

O Brasil é composto de 5 regiões e em cada uma delas, também há muitas diferenças. Mas, ali dentro de cada uma, de uma forma geral, essas diferenças se aproximam.

No Sul: É a parte do país em que as estações são mais bem definidas: inverno é bem frio, verão é bem quente. Os traços europeus são bem presentes. Então, você pode curtir o clima de cidadezinha europeia em Gramado, no RS, por exemplo onde, em agosto, acontece um dos maiores festivais de cinema do país.

E se o lance for contato com a natureza, aproveite os parques nacionais, como o Parque Estadual do Caracol ou o Parque da Ferradura, em Canela, ou o Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul. As praias de Florianópolis – e a natureza de um modo geral-, em SC, também são de tirar o fôlego: a ilha tem mais de 40 praias e muitas são bem famosas entre surfistas, como a Joaquina.

No sudeste: O sudeste é o centro financeiro do país. Na verdade, São Paulo o é. E, se você for mochilar por esta região, vai encontrar talvez a maior mistura de culturas do Brasil. Isso por que o sudeste sempre foi a “região das grandes oportunidades”.

É comum chegar à capital paulista e se sentir cidadão do mundo, com toda sua arte urbana, arranha-céus, bares e estabelecimentos 24/7. Assim como chegar no interior de Minas Gerais, como Mariana e Ouro Preto, e se deparar com a história do país ainda muito viva na arquitetura das igrejas e casarões.

Aproveite para conhecer as serras do Mar e da Mantiqueira, que formam o Vale do Paraíba e ficam entre Rio de Janeiro e São Paulo, para não cair no clichê de conhecer apenas o Rio de praias – ok, conheça as praias também, mas explore o desconhecido, como todo bom mochileiro deve fazer.

No Centro-oeste: Grandes chapadas, ar mais seco, flora surpreendente e paisagens de novela. O Centro-Oeste guarda surpresas para quem pensa que por ali se encontra apenas aridez e a capital do país.

Conheça a cultura sertaneja – que vai muito além da música e da moda – e relaxe em meio à natureza, no Pantanal – entre MT e MS -, em Bonito (MS). Fique boquiaberto com a Chapada dos Veadeiros.

Aventure-se numa paisagem mais urbana, mas completamente planejada em Brasília, conhecendo o centro político do país – faça uma visita guiada pelo Congresso Nacional –  e tendo uma aula de arquitetura com os traços de Oscar Niemeyer.

No nordeste: Essa região é uma das preferidas de quem mochila pelo Brasil, isso por que o nordeste, bem vertical, é uma viagem de variedades – desde as belezas das praias de águas quentes, já que estamos o tempo todo na costa, em contato com o Oceano Atlântico, até a variação de modos de falar e de comer.

Bahia, Alagoas, Ceará, os estados do nordeste são famosos e super turísticos, por isso, em cidades como Fortaleza (CE) você encontrar uma boa estrutura para quem está turistando. Mas como você está de mochila, isso, muitas vezes é até luxo. Por isso, se jogue.

Alguns dos destinos mais badalados do país estão aqui: Praia da Pipa (em Natal), Jericoacoara (CE), os Lençóis Maranhenses (MA). Se tiver com grana, de Natal você pode ir a Fernando de Noronha, o arquipélago que é um paraíso quase privado.

Pegue a estrada e vá conhecendo desde o norte de Minas Gerais até chegar bem ao lado da Amazônia. E aí já é outra história…

Na Amazônia: A Amazônia é o “pulmão do mundo”, uma região que ultrapassa as fronteiras do Brasil – ela está no Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Aqui dentro do nosso país, a chamada Amazônia Legal está em 9 estados Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.

Se o nordeste e o sudeste guardam praias estonteantes e uma infraestrutura turística bem explorada, os interiores da Amazônia deixam a desejar no conforto, mas são o sonho de qualquer mochileiro: pé no chão (ou na bota, como preferir), cachoeiras, animais exóticos, cultura indígena, rios imensos, tão grandes que parecem o mar (você não consegue enxergar a outra margem).

Leia o que a gente escreveu sobre eles aqui no post 4 viagens pelos rios da Amazônia que todo mochileiro deveria fazer 

Conheça o Jalapão (TO), um local que vem há algum tempo crescendo em turismo e que tem paisagens avassaladoras. Navegue pelo Rio Amazonas – que nasce lá na Cordilheira dos Andes e desemboca no Oceano Atlântico junto à Ilha do Marajó, a maior ilha marítimo-fluvial do mundo e da qual a gente falou no post Como ir de Belém à Ilha do Marajó.

Permita-se ficar um bom tempo na Amazônia: são muitas paisagens e experiências diferentes, visite as capitais para sentir essas diferenças e como, mesmo em meio à urbanização, muito da cultura indígena ainda está impressa principalmente na culinária.

 

Com tanta coisa, por onde começar?

 

Se você está fora do Brasil, planeje-se para conhecer aos poucos, ficar alguns meses. E aí, tem que ficar atento aos valores de passagens aéreas no país em que você está. Se você já está no Brasil, programe-se de acordo com os valores das nossas passagens aéreas – as companhias fazem promoções de meses em meses.

Claro que quem mochila evita aviões e prefere conhecer as estradas, mas algumas distâncias são realmente monstruosas, algumas estradas não são tão seguras e é preferível prevenir que remediar.

 

Comece sua trip pela Amazônia

 

Se você resolver começar pelo Norte do Brasil, ou seja começar o mochilão pela Amazônia, já vai ficar maravilhado de cara. Muitas pessoas saem das Guianas para chegar aqui em Belém (PA) e você pode conhecer um pouco dessa trip na entrevista que a gente citou lá em cima: Da Guiana Francesa pra Belém: um guia pra viagem ser inesquecível.

Se você não tem tanto costume com calor, comece sua trip no fim do ano (dezembro) ou no começo (até maio), pois são os meses em que chove mais: acostume-se, na Amazônia sempre está quente, então você deve se aproveitar da umidade para ir se acostumando.

Em Belém, você chega de avião e, daqui, claro, depois de conhecer todas as maravilhas da cidade – que você pode saber mais no nosso post 3 dicas de rolês que você tem que fazer em Belém e no 9 dicas muito especiais sobre o que fazer em Belém  – vá navegando conhecer outras maravilhas da Amazônia.

O Pará é cheio de cachoeiras, trilhas, cidadezinhas em que você vai se sentir em casa. Cultura marajoara, animais diferentes, e a culinária…bem, a culinária é um capítulo a parte: herdada dos índios, destacamos o tacacá – uma espécie de sopa feita da mandioca, com camarão e jambu (uma folha que faz tremer a boca), a maniçoba – feita da folha venenosa (!) cozida por dias para perder o veneno e tornar-se comestível somada a carnes de porco (é quase uma feijoada paraense), as frutas regionais (e os sorvetes e sucos feitos delas), entre muitas coisas deliciosas que vão ficar na sua memória.

Mochilar pelo Brasil é uma aventura longa, linda e de respeito. Planeje seu roteiro direitinho, escolha hospedagens baratas, mas que estejam de acordo com a sua trip, ou seja: maravilhosa – saiba mais sobre as vantagens de se hospedar em um hostel. Dê atenção às possibilidades de morar em certos lugares por um tempo, isso sempre aumenta a conexão com cada lugar – você se aproxima das pessoas e tem experiências mais intensas.

 

E aí? Partiu Brasilzão?

 

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