O que se aprende em uma viagem com mãe

O que se aprende em uma viagem com mãe

2 de maio de 2018 Sem categoria 0

Minha irmã e minha mãe no Ceará

 

Se tem uma coisa que a gente ama por aqui é uma boa história de viagem. Não importa o destino, não importa o roteiro: a gente quer só sentir como foi a vibração, o que foi descoberto.

Por isso, resolvemos compartilhar uma história de viagem muito especial vinda diretamente…daqui mesmo, da equipe do Belém Hostel. Vou descrever como foi incrível quando eu conheci Fortaleza ao lado de uma super companheira de viagem: minha mãe.

A escolha de quem viaja com você define muito sobre sua trip.

Viagem com mãe, viajar com a mãe, se aventurar com a mãe. Pode dar o nome que quiser, quem já fez uma trip dessas que fale tudo, menos que não é memorável – isso pode ser bom ou ruim. No meu caso foi encantador.

Vem saber o que eu aprendi e imaginar o que você pode aprender numa viagem com mãe.

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Por Adriana Melo

Foi quando aprendi a definir um roteiro de viagem sem pensar só em mim

 

Minha mãe sempre quis ir a Fortaleza, mas, por vários motivos, nunca tinha ido. Vou, não vou, o tempo foi passando. Era 2015 e eu estava me preparando para ir ao Chile, num mochilão solo, por dois meses.

Decidimos: na volta ao Brasil  eu iria descer em Fortaleza e nos encontraríamos lá. Comprei minha passagem com milhas e minha irmã iria acompanhando nossa mãe até que ela, já com algumas dificuldades pra viajar só, me encontrasse.

Minha mãe é uma senhora perto de seus 70 anos, então, eu já sabia: iria ter que fazer várias adaptações. E aí veio o primeiro grande aprendizado: um roteiro nunca é algo fechado. Mesmo quando se está só, as pessoas que você encontra, que conhece moldam seu caminho, mudam seu rumo e essa é a vida.

Em vez de praia de manhã super cedo, dormir super tarde, ficar conversando até altas horas com a galera, mudei os hábitos: durante aqueles 10 dias iria acordar mais tarde, aproveitar o sol ameno e conhecer a cidade durante o dia

Aprendi que mães são de outro tempo. E isso é incrível.

Cheguei a Fortaleza à noite, um dia antes de minha mãe e irmã chegarem. Mas estava tão cansada do mochilão que acabei não saindo, dormi. No dia seguinte nos encontramos e foi fantástico – estava com saudades, pois havia passado um tempo sem vê-la.

Foi interessante ter passado uma temporada longe pra eu redimensionar o tempo e entender outras coisas sobre ele.

O seu tempo é o de agora e, por mais que sua mãe seja super jovem e descolada, por mais que saiba tudo sobre os últimos aplicativos pra auxiliar na viagem, ela já viveu outras coisas em outras épocas.

Então, vai ser muito comum ela chegar em algum lugar na trip e contar a história de como foi quando ela era jovem e estava em um lugar exatamente como aquele. E ela, provavelmente vai contar tudo: cada personagem e cada situação.

Pra quem gosta de histórias isso pode ser maravilhoso. O que traz o segundo aprendizado à tona: conviver com pessoas de outros backgrounds, com histórias muito diferentes durante uma viagem enriquece, e muito, a experiência. Principalmente se for alguém que você goste muito.

E aí eu senti a trip de outra forma

Então éramos nós duas mais minha irmã em Fortaleza, em frente ao mar – com aquela água quente do Nordeste em uma trip super calma, sem correria. Os dias estavam ensolarados então, apesar de acordarmos um pouco mais tarde, aproveitamos bem.

Ficamos na Avenida Beira Mar, em frente à praia. Depois de algum perrengue mochilando e acampando, me senti uma rainha. Durante 5 dias, a sequência era: tomar um café da manhã tardio, ir à praia, tomar banho e caminhar pela cidade.

Em um dos dias, à noite fomos ao Dragão do Mar, um complexo cultural bem gostoso, onde pela primeira vez na vida tomei cajuína – me apaixonei. Íamos sempre à mesma padaria comprar pão e queijo pra lanchar.

A viagem tinha um clima de casa, de “vou bem ali na padaria e já volto”Isso é uma das coisas boas: quando se está com uma companhia totalmente diferente de você, a viagem é sentida de uma outra forma e isso pode ser muito agradável. Eu saí do óbvio.

No sexto dia fomos pra Jericoacoara.

 

Foi quando redimensionei o meu relacionamento com a minha mãe

Um pouco antes de viajarmos minha mãe havia sido diagnosticada com um problema na memória, o que havia redefinido muitas coisas na família. A viagem que fazíamos era importantíssima também para estimular a saúde dela.

E aí veio um precioso aprendizado sobre viajar com mãe: uma viagem faz você redimensionar o seu relacionamento – em que pé ele estiver – com ela.

Ah, Jericoacoara é linda. Um vilarejo no interior do Ceará onde tem muito turista e muita beleza. Minha mãe é aficionada por mar, então aquele clima de interior meeesmo, com poucos carros, muito sol, areia e água salgada estavam maravilhosos. Pra ela e pra mim.

Ficamos num hostel em quarto privativo e a experiência foi fantástica: de manhã tomávamos café e interagíamos com os outros hóspedes – muitos deles vinham de fora do país -, ficávamos um pouco nas redes que o hostel disponibilizava e depois…praia!

Não choveu um dia sequer. Passamos 3 dias na cidade, passamos diversas vezes pelos mesmos lugares e nunca enjoávamos. Se nos perdíamos, nos encontrávamos. E estava tudo bem.

No último dia me propus um desafio: uma aula de surfe. Confesso que não consegui ficar um minuto sobre a prancha e minha mãe, vendo minha insatisfação, abriu um sorriso dizendo “não importa o pouco tempo sobre a prancha, mas o tempo feliz dentro do mar”

Algo que só ela diria.

Pronto: eu havia reelaborado minha relação com a minha mãe, aquela pessoa que me levava quando pequena a balneários para me ensinar a “furar a onda” no mar, a como tirar a areia dos pés.

Agora era eu quem a acompanhava na hora de entrar na água, mas ela sempre teria – e tem – esse lugar: o da pessoa afetuosa que vê o lado bom das coisas.

Viajar com mãe é uma trip que todo mundo deveria fazer. É grandioso, é cheio de desafios que fazem o que eles devem fazer: engrandecer tudo.

Ah, sim. Depois de Jericoacoara, voltamos a Fortaleza de van, ouvindo piadas super engraçadas do motorista – como os cearenses têm essa veia cômica! – e vendo o por-do-sol.

Passamos mais um dia na capital do Ceará e, então, de volta pra casa.

Foi memorável.

Essa foi minha trip. E você? Já viajou com mãe? Se não, pretende viajar? Conta pra gente, deixa seu comentário.

 

 

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